Alena Doleželová: “Quem não joga, não consegue entender o que de tão especial o Minigolfe tem”

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A Federação Mundial de Minigolfe para a Juventude (WMF) esteve à conversa com Alena Doleželová, e não resistimos em partilhar aqui a sua história inspiradora.

Nascida em 1999 na República Checa, Alena de apenas 19 anos, é uma rapariga que aprendeu a amar o Minigolfe de uma perspectiva diferente. Sendo uma das poucas jovens jogadoras femininas, Alena teve de jogar muito e ser aceite pelos jogadores masculinos, num mundo onde estavam em larga maioria. Alena realmente adora o Minigolfe, e refere que é um desporto para todos e que mais raparigas deviam experimentar.

Continuando a ler, conhecerá a história em pormenor da medalhada de prata no último Youth European Championships, na Suécia.

WMF: Quando e como te iniciaste na modalidade?

Alena: A minha história no Minigolfe começou por volta dos quatro anos. Os meus pais jogavam Minigolfe (eles até se conheceram através assim), e levavam-me com eles para os torneios, porque não queriam estar sempre a deixar-me com a minha avó. Deve ter sido por isso. Hoje, estou contente que me tenham continuado a levar com eles.

WMF: Que taco usas quando jogas e qual a tua bola preferida?

Alena: Os primeiros dois ou três anos na minha carreira de Minigolfe usei um taco sem marca, mas os meus pais compraram-me um taco NIGO da Ryner, que uso até hoje. Como sou uma pessoa baixa tive de cortá-lo, por isso tem uns 10 cm abaixo do normal.

Eu acho que não tenho nenhuma bola favorita, porque as minhas preferências vão mudando.

WMF: Que superfície de jogo preferes?

Alena: Na República Checa, temos tantos campos de Challenge Golf e tão poucos de Profy e Petergolfe. Por isso, apenas jogo duas vezes por ano numa superfície diferente do Challenge. O que significa que estou sempre à procura para jogar nos outros campos. Mas tenho que admitir que não sou tão boa nessas duas vertentes, dado que não jogo com frequência. Para resumir, acho que mesmo assim continuo a preferir o Challenge, pois estou mais familiarizada. Consigo ter melhores resultados, mas o Profy e o Peter são mais divertidos para jogar.

Alena Doleželová na tacada que deu o Bronze à República Checa | Foto ©World Minigolf Sport Federation

WMF: Tinhas alguém como exemplo quando começaste a jogar?

Alena: Sim, a minha mãe, porque ela e o meu pai ensinaram-em como jogar. Eu acho que é compreensível. O meu pai estava mais na administração de um clube e a minha mãe era (e ainda é) uma das melhores jogadoras da República Checa. Ainda tenho muito para aprender, basta ver os resultados do Campeonato Europeu em Algundo. Incrível.

Alena-Algund-Minigolf
©Andrea Candioli/H.Lauble/AMV Algund

WMF: Qual a tua maior conquista no Minigolfe?

Alena: Bem, ganhei algumas medalhas em categorias individuais no passado e estou realmente contente e grata por cada uma. Mas o que significa ainda mais para mim são as medalhas de competições em equipa. Para ser honesta estou muito triste que a República Checa não tenha jogadoras suficientes para formar uma equipa. Nos últimos anos tive de jogar a Youth Championships sozinha. Ainda assim, tenho de agradecer a todos os treinadores e rapazes que me fizeram sentir parte da equipa. Eles são fantásticos.

Mas o que eu queria dizer, é que a conquista que mais aprecio é a medalha de ouro por equipas na última European Cup, na Itália. Não consigo descrever em palavras. Obrigado a toda a equipa, foi simplesmente fantástico e já estou a pensar na próxima.

WMF: Qual a melhor e mais forte memória que tens dos teus anos enquanto jovem jogadora?

Alena: É uma boa pergunta e também uma difícil. É difícil escolher uma só memória, porque eu tenho tantas do Minigolfe. Eu sou incrivelmente grata que eu possa ter feito parte das seleções jovens e também adultas durante os últimos anos. Eu já mencionei uma das minhas memórias mais fortes do ano passado na última questão, mas se estivermos a falar de campeonatos jovens, eu diria que a melhor vem de Ostrava em 2015. Não foi apenas sobre mim, claro, nunca é. É sobre o espírito de equipa, o ambiente, emoção, paixão e também sobre treino duro. Foi simplesmente fantástico. Com um dos melhores treinadores da República Checa (Milan Lipmann), os jogadores checos conseguiram três medalhas de ouro – competição masculina e individualmente em femininos e masculinos. Uma das maiores conquistas na história do Minigolfe da República Checa. Tivemos um grande sucesso, tanto individualmente com em equipa. Foi fantástico.

Como mencionei anteriormente, eu realmente tenho muitas memórias incríveis ligadas ao Minigolfe e sou realmente grata por todas.

Ostrava 2015 ©Alena Doleželová

WMF: Para terminar, o que torna o Minigolfe tão especial?

Alena: Uma boa questão também. Diria que a minha resposta foi dada em parte na última pergunta. Muitas pessoas perguntam-me “Ainda jogas Minigolfe? Não é aborrecido? O que tem de tão especial, apenas acertar uma bola com um taco?”. Bem, a minha opinião, quem não joga Minigolfe, não consegue entender o que de tão especial o Minigolfe tem. É difícil explicar. Eles tem de tentar e dar uma chance a esta modalidade.

Como já jogo há cerca de 15 anos e tenho passado por tantos altos e baixos, não consigo imaginar a minha vida sem o Minigolfe. Foi, e é, uma parte muito boa da minha vida. Os meus colegas são parte da minha família. Graças ao Minigolfe fiz imensos amigos, visitei imensos países, e com o tempo melhorei o meu inglês. O Minigolfe oferece também um crescimente psicológico, não é apenas diversão, “apenas acertar a bola com um taco”, é de alguma forma um desenvolvimento para a tua personalidade, como todo o desporto é. Minigolfe é um desporto, um excelente desporto, e é um desporto acessível a todos. Isso é o que gosto nele.